A Morte e a Morte da Modernidade: Quão Pós-moderno é o Posmodernismo?

Em A morte e a morte de Quincas Berro D’água, Jorge Amado nos oferece a estória das duas mortes de Quincas, obra típica do realismo mágico latino-americano. Esta obra faz-nos perguntar: Quincas de fato morreu duas vezes? Quando ele morreu? No seu quarto, como dizia a família, ou no mar, atirando-se de um saveiro? Os amigos de Quincas não hesitariam em garantir que ele estava vivo até aquele momento em que a tempestade o lançou às águas. E o leitor, embevecido pela linguagem e pelas imagens do apto escritor, admite que isso possa ser verdade.1 Afinal de contas, “que é a verdade?” (João 18.38). Existem verdades absolutas e/ou universais? Ou são todas as verdades subjetivas, e relativas em termos culturais e históricos? O pós-modernismo prega a morte da modernidade e da verdade objetiva.2 Mas Jorge Amado é um autor moderno ou pós-moderno? O subjetivismo que esta sua estória inspira não é novidade. Será possível que, como os amigos de Quincas, estamos carregando um cadáver sem o saber? Morreu a modernidade ou continua viva? Quando e como se deu o passamento? O que há por trás de toda esta comoção funérea? É isto que cabe-nos investigar. Neste artigo eu me proponho a analisar este misterioso óbito, e a validade dos argumentos daqueles que o proclamam.

Para o estudioso familiarizado com a história da teologia moderna e contemporânea, tais novas obituárias soam fantásticas. São como as palavras dos amigos de Quincas, garantindo que o mesmo faleceu ao se lançar em um mar pós-moderno, e não no barpós-kantiano, afogado ao engolir o trago amargo da revolução epistemológica de Immanuel Kant (1724-1804). O modernismo perdeu suas forças agora, no fim do século vinte, ou no fim do século dezoito, com a publicação da Crítica da Razão Pura?3 Qual é a verdadeira cara do pos modernismo, por trás da máscara de novidade, promovida como em uma grande campanha de publicidade? Trata-se de um novo produto, ou de alguma velha mercadoria em que o rótulo trocado e um novo “jingle” dão a sensação de novo?

Por Ricardo Quadros Gouvêa

FONTE: FIDES REFORMATA

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