A Cosmovisão Cristã e os desafios da atualidade

COSMOVISÃO CRISTÃ E OS DESAFIOS DA ATUALIDADE

Certa vez ouvi: “Todo homem morre mas nem todo homem vive!” Esta foi a declaração do personagem William Wallace no filme “Coração Valente”, personagem representado por Mel Gibson. Concordo com esta frase e aplico a nossa vida cristã, o apóstolo Paulo disse algo semelhante, que o viver dele era Cristo e o morrer lucro (Fl 1.21). Essa convicção moveu o apóstolo a transtornar o mundo com a pregação do Evangelho, conforme é proclamado pelos judeus que perseguiam Paulo e Silas em Tessalônica (At 17.6): “…Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui.”

A forma como enxergamos a realidade molda nossa vida. Naturalmente a base da cosmovisão cristã é a revelação de Deus nas Escrituras. Ainda assim, tristemente muitos crentes não conseguem entender que as Escrituras são intencionadas para ser a base de toda a vida…[1]. Os ímpios vivem e constrói a cosmovisão de acordo com seus corações endurecidos pelo pecado (Ef 4.17-19). Mas a questão é quem se esforça mais nesse processo de construção da cosmovisão e qual influência mais o mundo? Naturalmente tem sido os ímpios os maiores influenciadores da sociedade e da cultura. Tanto é que nosso tempo é chamado de uma era “pós-cristã”, onde o cristianismo tem sido arrancado da consciência, da sociedade e da cultura. A pergunta que temos que fazer é como a igreja em meio a tudo isso tem se comportado? Ela tem dormido em um sono profundo no “mundo dos país das maravilhas”! Enquanto isso os inimigos do cristianismo marcham vigorosamente contra o Evangelho. Como disse Colson:

“…A cosmovisão dominante hoje é a do naturalismo, que criou uma cultura pós-cristã e pós-moderna. Quando dizemos pós-cristã, não estamos querendo afirmar que os ocidentais não mais professam ser cristãos nem frequentam igreja. Para falar com franqueza, como é notório, a maioria faz ambas as coisas. Antes, o que queremos dizer com pós-cristã é que a maior parte das culturas ocidentais não mais confia nas verdades judaico-cristãs como a base de sua filosofia pública ou de seu consenso moral.

Essa é uma mudança significativa. No nascimento dos EUA, por exemplo, ninguém – nem mesmo os deístas e céticos –duvidava de que as verdades básicas da Bíblia dariam suporte às instituições americanas e modelariam os valores da nação. Embora os pioneiros fundadores se tenham baseado pesadamente na filosofia iluminista, assim como nas tradições cristãs, poucos naquela época viam qualquer contradição entre elas. E, na maior da nossa história, essas verdades básicas permaneceram como o fundamento do senso social.

Hoje isso não é mais verdade. Para ver como essa mudança aconteceu rapidamente, só é preciso olhar para as decisões do Supremo Corte. Bem recentemente, em 1952, o Juiz William O. Douglas escreveu: Somos um povo religioso cujas instituições pressupõem um Ser Supremo…

Não obstante, em 1996, pouco mais de uma geração depois, observadores da Corte se escandalizariam quando o Juiz Antonin Scalia anunciou, em discurso que, como cristão, acreditava em milagres e na ressurreição de Cristo…”[2]

 

Sabemos que toda a oposição maligna não pode prevalecer contra a edificação da igreja sob o Cristo, o Filho de Deus (Mt 16. 13-20). Todavia, isso não isenta a igreja de sua negligência diante do Senhor por não viver o Evangelho em todas as áreas da vida cristã, o que envolve naturalmente a sociedade e a cultura.

A igreja precisa confrontar a cultura com o Evangelho, como afirmou David Platt:

“O evangelho é a força vital do cristianismo e proporciona o fundamento para confrontar a cultura, pois, quando cremos de verdade no evangelho, começamos a perceber que ele não só constrange o cristão a confrontar as questões sociais à sua volta, mas também cria de fato uma confrontação com a cultura ao seu redor – e dentro de nós.” [3]

 

O Evangelho não é uma verdade entre outras verdades, mas a verdade absoluta, como afirmou Karl Barth:

“O Evangelho não é uma verdade entre ao lado de outras verdades. É a verdade que questiona todas as demais verdades. O Evangelho não é a porta, mas a dobradiça.”[4]

O apóstolo Paulo quando escreveu a carta para igreja em Roma, testemunha sua convicção de que o Evangelho é o poder de Deus para salvar o perdido e por isso ele não tinha vergonha de o anunciar para um mundo anti Deus, como era o Império Romano (Rm 1. 16-17). Ele afirma que estava pronto a anunciar o Evangelho em Roma para a igreja (1.15). Paulo condena a Homossexualidade tão praticada no Império Romano (1. 26-27) e  a imoralidade em todos os níveis tidos como virtuosos pelos gregos (1. 28-32). Quando fala que o homem adora a criação ao invés do Criador, adorando “aves, quadrupedes e répteis” é condenado por Paulo (1.23), é uma clara referência as legiões romanas que usavam uma águia como símbolo do Império Romano. Existiam pelo menos 24 legiões de soldados romanos espalhadas pelo mundo daquela época. Em cada legião tinha um símbolo diferente que a representava, como por exemplo: Elefantes, Javalis, Touros, Escorpiões…[5] Seria o mesmo que Paulo escrevesse para uma igreja na Coréia do Norte e dissesse que os homens adoram a criação ao invés do Criador, ao adorar figuras humanas, líderes políticos ou o próprio Estado!

Quando Paulo escreveu para os irmãos na cidade de Corinto, disse que a mensagem da cruz é loucura para os gregos e escândalo para os judeus, mas para nós, é o poder de Deus (1Co 1. 18-25). Essa convicção do apóstolo o levou a enfrentar todos os desafios do seu tempo com profunda ousadia no poder do Espírito Santo! Da mesma maneira, nós precisamos ser despertados a viver, pregar e confrontar o nosso tempo com o Evangelho!

A igreja precisa ser bem instruída no Evangelho para enfrentar as pressões contra sua fé e ao mesmo tempo enfrentar toda oposição buscando discernimento e sabedoria da parte de Deus, por meio das Escrituras! As duas ações devem estar envolvidas, tanto o nosso esforço em entender o Evangelho, como também a nossa total dependência do Espírito Santo para que o aprendermos possa servir como instrumento para a glória de Cristo e a edificação da igreja! Como afirmou Perry G. Downs: “O cristianismo tem um conteúdo para ser acreditado e uma visão de mundo a ser adquirida.”[6]

Por Márcio Willian Chaveiro

[1] COLSON & PEARCEY, Charles & Nancy, E Agora como Viveremos?- CPAD, 2015, p. 32

[2] COLSON & PEARCEY, Charles & Nancy, E Agora como Viveremos?- CPAD, 2015, pp. 40-41

[3] PLATT, David, Contra Cultura, Vida Nova, 2016, p. 19

[4] FERREIRA, Franklin,  2016,  p. 54

[5] FERREIRA, Franklin,  Contra a  Idolatria do Estado, Vida Nova, 2016,  p. 61

[6] MAIA, Herminsten, Introdução à Cosmovisão Reformada, CRUZ,2017,  p. 17

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