A Cultura interpreta a Bíblia ou a Bíblia deve interpretar a Cultura?

Um teólogo alemão chamado Rudolf Bultmann que viveu 1884-1976 procurou desenvolver uma teologia interpretada pelos descobrimentos científicos e culturais provindos do Iluminismo. Como consequência dessa relação imprópria entre teologia e cultura, surgiu a desmitoligização, que defendia que tudo no Novo Testamento que é narrado como sendo sobrenatural é na realidade fruto do judaísmo primitivo e do gnosticismo. Um exemplo clássico desta posição de Bultmann é a que ele faz após narrar as convicções cristãs sobre Cristo e a salvação, faz a seguinte conclusão: “Tudo é linguagem mitológica…” (Demitologização – Coletânea de Ensaios – Editora Sinodal – p. 07).

Atualmente muitos pastores têm caminhado nessa mesma metodologia interpretativa de Bultmann, que é usar a cultura para interpretar a Bíblia e não o contrário. Estes pastores não assumem publicamente que acreditam que não existe sobrenatural e nem que a Bíblia é cheia de mitologias por medo de serem expulsos das instituições ortodoxas, contudo, declaram que a Escritura não é inerrante, infalível e suficiente e devido a isso precisamos desenvolver uma comunicação mais eficaz com o mundo que nos cerca.

Não me oponho a dialogar com a cultura, me oponho a desenvolver essa conversa a qualquer custo, tendo como referencial a cultura pós-moderna e não a Escritura. O problema é quando a cultura interpreta a Escritura ao invés de ser o contrário.

Para os defensores da Igreja Emergente tudo tem que ser reavaliado, desconstruído, as instituições, as confissões, as práticas eclesiásticas. É verdade que sempre precisamos reavaliar nossas praticas e convicções teológicas, todavia o problema é sob qual base será avaliada, Escritura ou cultura? O apóstolo Paulo falando sobre a confiança de alguns da Igreja de Colossos na filosofia grega ou no judaísmo, pois as duas tinha influência naquela igreja, afirmou (Cl 2. 20-23):

“Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseis isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais cousas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade.”

A Igreja Reformada precisa sempre se reformar! Mas o que é esse “reformar”? É retornar sempre as Escrituras como fonte absoluta da verdade, pela qual toda a realidade pode ser avaliada e interpretada. Através das Escrituras e não dos parâmetros estabelecidos pela cultura. A realidade deve ser interpretada e o papel da igreja estabelecido conforme a Escritura e não conforme “palha cultural que o vento dispersa”!

A cultura muda, é como um mar revolto, instável, como uma palha que o vento dispersa (Sl 1.4). Os pensadores pós-modernos nunca sabem em que acreditar realmente, pois suas convicções são fundamentas no vazio da incerteza. Todavia, nós que fundamentamos nossa fé na verdade absoluta que é Cristo e sua Palavra, não podemos tirar a nossa âncora desse porto seguro para navegar nas ondas bravias da incerteza cultural. Somos chamados para ser sal e luz no mundo e não ser guiados pelo mundo (Mateus 5. 14-16). A cegueira humana não pode nos guiar no escuro da realidade, mas apenas a luz do Evangelho pode nos conduzir em segurança e revelar o caminho que devemos trilhar em nossa peregrinação!

A Escritura interpreta toda a realidade moral, ética e espiritual. Nada escapa ao seu crivo e somente por meio dela que podemos interpretar a experiência humana com segurança, o que inclui naturalmente a cultura. Temos que cultivar princípios que sejam norteados pelo Evangelho e não pela cegueira ímpia! Continuemos batalhando pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos!

Por  Márcio Willian Chaveiro

Comentários

  • Ananiasalves
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    Assim , como fala” Rev.Ronaldo Lidorio a Biblia e Supra – cultural o Evangelho esta acima de qualquer cultura”. Evangelho confronta toda e, qualquer cultura.
    O Evangelho e para todos em todas as culturas e sobrepoe a todas elas!